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sábado, 29 de dezembro de 2012

Choro de Julieta

Dói muito ver você partir
Você está agora onde as almas são uma só
Você pegou um caminho de uma mão só
Não vou aguentar viver assim, tão só

Dói muito ver você partir
Se era pra ter partido
Eu queria ter ido junto
Viver minha morte com você pra sempre

Oh, Guardião das almas!
Por que levar meu amor
E me deixar aqui sem amparo?
Por que levar minha alegria
E deixar comigo minha angústia?

O que há guardado pra mim, Senhor?
É pra me fazer sorrir quando me fazes chorar?
Se levas metade de minha vida agora
Levarás a outra metade para o mesmo lugar?

Dedicado a um casal de amigos.

Vir-e-ir














Eu tive um rápido lapso
Embora consiga destruir tudo o que vivi
Eu encontrei nosso amor em colapso
Por fim eu vi:

Havia uma lança que me trespassava
Uma insegurança que me punia
Um passado que nunca passava
Uma infame dor que nunca ia

Era o tempo que me transgredia
O som que me deprimia
O espaço que me agredia
O amor que vinha e ia

Há uma culpa que se pode fadar
Uma lápide a me sucumbir
O prazer que irei te dar

Eu tive um rápido lapso
Pensei que ainda vivia. 

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Nuvem da Consolação, a Pura.


Naquela noite eu desejei:
Podia ser eu

Ah, devia ser eu.


"Não chore
Anjos não desaparecem
Não chore por mim
Mas por quem vai deixar

Aceite do seu fardo
Nunca antes vi um anjo
Tão belo e puro a esmorecer
Mas se é o que nos trouxe aqui
Desfrute dos teus últimos segundos
Receba meu ultimo beijo
Leve toda sua amabilidade
E os portões se abrirão com alegria
Quando encontrar seu destino final"

Naquele momento eu desejei:
Mais tempo, por favor
Mais momentos com ela.

Um inferno estava se aproximando. E aquelas pessoas inocentes permaneciam tranquilas, em suas casas, reunindo famílias e educando seus filhos dos seus diversos sentidos para o fim de cada ano que passavam. Estava tão próximo do fim do ano de 1877! O quanto ainda poderiam desfrutar aquelas pessoas do mundo que viviam e desenvolviam? O próximo ano as marcavam, profundamente. Eram muitos planos, sonhos e desejos para concluir ainda. Eram muitas pessoas a encontrarem a felicidade ainda! Eram muito jovens para morrer. Eram. Muitos jovens. Para perder seus amados, para se perderem. Mais tarde encontrarem seus destinos finais precipitados. 

Oh, humanidade. Ah, céus. O fim de um sonho é a desilusão maior que cada um carrega para sempre. O fim de uma vida em seus próprios braços é a memória que te consome por eras. "O sofrimento é uma pedra de afiar para uma mente forte". Um coração forte é uma túnica trespassável que só um indivíduo frio pode sustentar.

Nos meus braços eu carregava ela: A mais alva nuvem do céu. O mais confortável coração já habitado por mim. Aquela bala a mutilou. Ela morria. Desagradável e Desgraçável eram palavras fracas demais para um momento daqueles. 

-Samuel, ouça meu apelo.
-Teu apelo? Mas, minha Nuvem da Consolação, desejas uma oração neste momento?
-Aquieta-te, meu Arcanjo, por favor. Ouça meu apelo. É tudo que peço.
-Por Deus! Minha Nuvem, eu te ouço.
-Meu destemido Arcanjo Samuel. Eu o invoco para a coragem em enfrentar os pesares do meu caminho pós-morte. Para encher meu coração de paz e esperança. Energize em mim o poder do Bem Supremo. Esqueça de mim. Não acumule flores em minha lápide. Seja forte em teu labor e esteja sempre a fazer a diferença na vida de mais alguém. Assim eu o invoco. 
-Que assim seja. E será. Eu a amo. A amarei sempre.

Samuel Deita Nuvem da Consolação em sua cama, e a deixa confortável em meio aos cobertores. Era uma noite muito fria, mas nada era mais frio que Sam naquele momento. As janelas permaneciam trancadas com vários cadeados e barras muito resistentes. Lá de fora era possível ouvir um alvoroço. 
Toda a cidade se aglomerava ao redor do palco da praça, onde o prefeito declarava guerra entre povos. A guerra se aproximava da pequena cidade. No momento em que foi declarado tal coisa o alvoroço se tornou um inferno. Os rostos de desespero por toda a praça eram difíceis de se encarar. Pessoas de todas as idades juntavam seus parentes e conhecidos em carruagens minúsculas, prontas para uma viagem de ultima hora. Gritos, choros, abraços, beijos e ''Eu te amo''. 

Uma mulher corria entre a multidão, desesperada, procurando por sua filha ferida. "Deveria estar em casa, descansando, como os médicos disseram'', pensou aquela mãe. "Sou a única coisa que restou para ela, de tudo que perdeu. Ela é tudo que me restou desde as pestes que assolaram nossas fazendas e nossa comida". 
Depois de tanto procurar por sua filha, aquela mulher cai de joelhos no meio daquela praça. Com lágrimas nos olhos, a imagem que via era totalmente confusa e embaçada. Uma dança de vultos passavam por seus olhos, como pessoas e mais pessoas correndo para todos os lados na esperança de saírem vivos daquela situação, antes que a guerra alcançassem eles.
Tremendo da cabeça aos pés, a solitária mãe levanta suas mãos aos céus e diz:

-Neste momento não peço por intervenção divina. Não peço por vida. Eu imploro por misericórdia. Procuro pela resposta, desejo minha filha. Preciso dela a salvo. Não posso deixar que teu corpo se desvaneça e não chegue a ter da felicidade que é ter um filho. É o que peço.
-Que assim seja - uma mão confortante toca o ombro da mulher - e assim será. - Era Samuel.

O arcanjo estende sua mão para a mãe. Ela assente, aceita da gentileza, e começa a seguir aquele rapaz desconhecido no sentimento de esperança mais sincero e repentino que já sentira. Quando chega, encontra sua filha, deitada confortavelmente em uma cama. Nuvem estava esplêndida naquela noite. O amor a mantinha bela como a Dama-da-Noite sobre o luar. Mesmo em leito de morte, seu sorriso e sua voz eram envolventes. Pareciam os combustíveis para que as velas se mantivessem acessas. E quando não estava sorrindo, a impressão era de que o quarto escurecia. 
Sem nenhuma palavra a mãe se ajoelhou aos pés da cama. Segurou a mão esquerda intacta da filha, e colocou a outra mão ferida sobre seu próprio peito. E disse:

-Filha, volte. Não morra sem antes ouvir do meu perdão. Eu deveria estar contigo naquele momento. Eu poderia me jogar na sua frente e te salvar deste sofrimento e...
-Mãe, por favor. Aquieta-te. Diga que me ama, diga que não preciso me importar contigo, que vai manter-se forte para sempre. 
-Filha, eu...eu...
-..."Te amo". É simples, minha mãe. - Neste momento ela sorriu e aquela impressão pôde ser notada.
-Nuvem da Consolação, - disse a mãe, rindo. - como consegue fazer rir em um momento desses? Ah, filha... eu tinha tanto o que aprender com tua pureza. Obrigada por...
-Não se despeça, por favor. E o mesmo eu peço a você, Samuel. Posso não estar sendo a garota que tanto amam nesse momento... mas... aceitem, por favor.
-Sempre será - disseram os dois, Sam e a mãe, em coro. Se entreolharam, e a mãe desviou o olhar. Quando procurou, não encontrou ele em seu campo de visão mais.

Seu momento desatento fez com que perdesse o falecer de sua filha. Nuvem da Consolação estava realmente morta. Aquela mãe afundou sua cabeça entre os lençóis da cama e a filha e transbordou em lágrimas. Aquele momento se tornou uma eternidade. 
Instantes após, o Arcanjo reapareceu e em um piscar de olhos levou os dois corpos na sala para outro lugar. 

De repente estavam em outra cidade. De cima de um prédio, luzes e mais luzes mantinham a cidade colorida e possível de se enxergar de tão alto. Ainda noite, aquela mulher com certeza pôde notar que não estava mais em 1877. E além disso não estava mais com sua filha. A única coisa que podia fazer era chorar, e chorou. Não se podia mais distinguir as lágrimas com água quando a chuva começou a cair.

De longe, Samuel observava a cena. Sobrevoando o local, estendeu a mão em direção ao prédio de um lugar que não era possível ser enxergado. Quando o fez, a porta de um carro se abriu no térreo do prédio e uma linda garotinha, vestida com suas botas de chuva e sobretudo, acenou para o Arcanjo. Ele acenou de volta e fez um sinal para que ela entrasse no prédio. Lá de baixo a garotinha mandou um beijo a ele, e ele brincou o pegando com a mão e guardando em seus bolsos. Samuel respondeu a garota, que brincou da mesma forma com o beijo. 
Ela saiu correndo em direção ao prédio. Quando a menina entrou, Samuel desapareceu em um piscar de olhos. 
Lá dentro do prédio a garotinha subia as escadas o mais rápido que podia. Quando chegou ao topo do prédio encontrou a mãe na chuva chorando. Se aproximando, cobriu a mãe com seu sobretudo e entregou uma foto a mulher. Aquela foto era de sua antiga família na casa de fazenda aproveitando de um domingo de folga. Todos eram muito felizes naquela foto. 
A mãe sorriu. A garotinha também. Alguma coisa naquele sorriso jovem fez a mãe lembrar de alguém que amava muito e que partira recentemente. Então, uma onda de calor reconfortante passou sobre o corpo daquela mulher. A mais jovem estendeu os braços e pulou no colo da mulher de forma calorosa e amorosa. Se encheram de beijos e se abraçaram com força, como se fosse o último de suas vidas. Mas dentro de cada uma, sabiam que muitos e muitos abraços estariam pela frente. Ao se soltarem daquele afago de amor a menina perguntou:

-Ei, vamos andar de bicicleta? 
-Esta chovendo minha filha. Não vai querer pegar uma gripe vai? 
-Mas eu acabei de ganhar minha bicicleta nova! Por favor!

Percebendo o quanto aquilo era especial para a filha, a mãe concordou. Lá embaixo encontrou uma bicicleta infantil ao lado de bicicleta muito maior. As duas montaram em suas bicicletas. A menina correu em dispara nas ruas vazias da cidade. Sua mãe se assusto e logo se manifestou.

-Não vai me dar trabalho essa menina! Volte aqui e me espere!
-Venha me alcançar! Aposto que não é capaz! - respondeu a garota. 

Rindo alto e com muito prazer, a mãe aceitou o desafio. A bicicleta tomou velocidade e saiu pelas ruas atrás do ponto rosa que era a bandeira da bicicleta da garotinha. Quando se aproximou da filha, finalmente pôde enxergar a placa e o que estava escrita nela. 
Na verdade aquela não era sua filha. Apesar disso, podia tratar ela assim sem problemas! Mas um outro tratamento era mais adequado para a filha de sua filha.

"Nuvenzinha II" era o que podia ser lido naquela plaquinha emoldurada e pintada à mão de cor rosa.

-Anda! Nós temos que acelerar para não perdermos a ceia de ano novo que mamãe preparou para nós, vovô! -Nuvenzinha gritou dos metros afrente que estava de sua vó.

Aquelas palavras foram o bastante para por um sorriso no rosto daquela vovó. 

Deu forças a ela para pedalar e deu felicidade eterna até o dia de sua morte. 

"-Eu oro por paz na Terra! Aquela que pedes todos os anos no Natal e que posso ouvir de suas bocas! Acabem as cantigas e movam-se! Movam-se! Movam-se! Eu oro por paz na Terra!" - Samuel, o Frio.

Like You




















Ei! Limpe os seus olhos
O badalar se fez
Temos que voltar para casa
Nossos pais estão preocupados

Viajamos por muito tempo
Mas teremos que voltar;
Mas não se preocupe!
Não olhe para trás
Nenhum momento sequer se arrependa

Faça seu coração imolável
Esteja firme comigo
Não pestaneje nesse caminho
Mas se caíres, se pensar em falhar
Nem sequer suspire aos céus por socorro
Eu fui enviado já há algum tempo

Eu ainda posso ver em um rosto marcado:
Um olhar pueril, um sorriso amarelo,
e com este, todas as trevas ao meu redor...
Desfalecem.

Pois ainda me resta a certeza
Que seus olhos hão de ver no horizonte
O nosso arado preparado
Um amanhecer se fazendo vindouro

Irmão, mesmo que contornemos as relvas
Mesmo que vejamos nascer e morrer
Mesmo que seus pés não tenham força
Mesmo que tenhamos de subir na montanha da perdição
Mesmo que atravessemos o tempo
Ainda permaneceremos
'Cuz you are made for me

Para o irmão mais lindo do mundo, Gabriel Vaskz! Tchmu

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Sono io il pagliaccio?

Comecei a piada
Mas não precisei terminá-la
As pessoas já estão rindo
Porque eu sou a piada

Sou um animal infeliz
Solitário numa jaula gélida
Cercado por dezenas de pessoas
Que pagam pra me ver definhar-me neste zoológico

Engraçado para os leigos
Interessante para os psicanalistas
Penoso para os piedosos
Melancólico para mim

O respeitável público ri
Afinal, o circo já chegou
O admirável público ri
E eu ainda não vejo a menor graça.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Cheers to




















Hoje o chão da cidade dos homens estremeceu
Houve um brinde que quebrava o silêncio
Aquele silêncio coberto por dor... Esmoreceu
Mas eles comemoravam o silêncio
Comemoravam o paradigma da dor

Davam brinde às cicatrizes, lutas, derrotas
Davam brinde à espada levantada [pausa]
Brindavam à cabeça que rolava

Pulavam e dançavam
Embebedavam o chão
Festejavam a dor
Alegravam-se com o sacrifício
Porque a vida era curta
Mas o dia era longo

Então festejavam a experiência

Não se alegravam pela dor
Pela ferida, mas pelo aprendizado.
Alegravam-se por aprender a não passar em vales escuros
Agradeceram pelo fogo, não porque se queimaram.

As amizades perdidas, vozes gastadas
Os insultos que pairavam
Fizeram parte de outrora

As rugas eram experiências
E a vida era vivida
O chão dos homens tremeu
A criança arteira faz os maiores ruídos
E compreendeu o silêncio...
Pelos séculos dos séculos

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Sobreviventes

Mais um fim do mundo que encaramos
Mais um fim do mundo que eu sobrevivo
“O fim está próximo”, diz o poeta
Talvez o seu. O meu não.

O mundo é uma das melhores festas
Começou sem um propósito definido
E não tem hora pra acabar
Cala a boca e dança.


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Familiar Faces














Eu coloquei a mão dentro de mim
Eu arrastei por todos os lados
Cavei até sair sangue dos meus dedos
Mas não achei força
Não achei nada.

Eu procurei em cantos escuros
Nas lacunas mais profundas
Procurei no amor
Na derrota, misericórdia, ódio
Não há nada aqui.

Não sei mais chorar, lamentar
Não mais sei do passado, almejar um futuro
E desaprendi aprender

Nada mais ecoa em mim
O silêncio me aprisiona
E eu não quero me libertar

Os rostos quebrados
Os seres desconcertados
Ninguém pode me ajudar...

Tem algo nos céus?
Algo que possa me ouvir? :

Coloque algo em mim
Faça algo queimar em mim
Queime em mim

Faça estasiante, pela primeira vez
Faça me vivo, me arranque do meu ventre
Me faça ver algo, me faça ver a Luz!

Tanto sangue derramado
Uma morte indesejada
Ela pode me preencher
Vasculhar tudo em mim
Fazer viver


Apocalipse, por favor

Acabar?
O mundo não vai acabar.
Quem me dera o mundo acabasse.
Seria muita misericórdia divina

É difícil acreditar que o mundo vai perecer
Quando se sabe que piedade não é seu forte
Não acho que terei tal prazer
Duvido que não haja sofrimento antes da morte

Aliás, já há sofrimento.

Oh, profeta!
Por que estás errado?
Gostaria de explodir
Com quem sofre ao meu lado

Oh, poeta!
Seu porco sem coração
Por que criaste um personagem
Feito pra agonizar de desilusão?

O mundo não vai acabar
Pena.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012


Um grito agudo vem da floresta,
um belo corpo caído no chão
lindos adornos, lilas combinam com sua pureza.
Mas agora não significa nada
Seu corpo se desfaz,
assim como de outras

Os seus olhos cheios de dor, ficam pálidos
Sua mata está em chama,
consumindo cada árvore
cada morada
e lar.

Mas nao fique triste pequena criança
seus espiros ja vão encontrar outro lar, e de lá uma linda driade vai brotar



Por MaVi Trecco! 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O Prestidigitador

Ilusões e truques
As mesmas ilusões e os mesmos truques
Os gritos de "bravo!"
Cada vez mais escassos

Eliza, meu amor
É o fim do Grande Lorenzo
O público não se ilude mais
Eu não me iludo mais

Cansei de alçapões e fundos falsos
O coelho que aparece do nada
Sempre esteve aqui

Cansei de cartas marcadas e moedas tortas
O relógio que some do nada
Nunca esteve aqui...

Continua
Baseado no jogo The Pretender

Póstumo Pienet


E eu acreditava que "Viver é estar nos mais altos patamares de mansidão!" - Confuso Pienet.

E então eu atingi meu objetivo solene. Não diligencio por Mansidão. Ela me alcançou, eu estendi a mão e estamos juntos agora.

Poucos acreditariam em como foi. Poucos acreditariam em toda a passagem que fiz para chegar aqui, onde estou, onde escrevo minhas obras póstumas. 

Não existe rascunho algum na Terra de onde vim. Não existem palavras minhas sequer a serem publicadas. Comigo levei todo o meu arquivo e é daqui que escrevo.

"Minhas palavras descansam em algum riacho de cores vivas. Meu pensar implora por descanso, mas não posso fazê-lo. Preciso dele todos os dias. Meu arquivo, minhas palavras e meu pensar se tornaram o que gosto de chamar de escape. Posso afirmar que a vida sem estes é inimaginável ultimamente." -Confuso Pienet

Oh, vida! Mas, que vida? Ah, sim.... a vida. Não pulsa minhas artérias, não me dá fôlego para respirar. Só permaneceu vagando pelo mundo, quando se separou de um corpo jogado em uma escrivaninha. Um tinteiro sobre a cabeça e uma pena na mão esquerda do canhoto Pienet.

Antigamente falava eu da minha confusa forma de compreender o mundo. Agora compreendo da forma mais clara o mundo que estou agora. Mundo dos mortos? O Hades de minha vida?
Tinha medo do que minha boca, da qual eu perdi todo o controle enquanto vivo, pudesse dizer as pessoas e aos membros da minha família. Morto, tenho todo o controle da minha boca. E, se alguma criatura divina me concedeu essa capacidade novamente, é para me explicar que a usarei. Tenho tanto para contar, tanto para escrever... O morto que vos fala está pronto para reviver as memórias passadas.

Pienet

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Comatose - Platônico Amor Próprio

Eu me distanciei da minha consciência, ouvi-la parecia um fardo. Ela trazia consigo as notícias de outrora, que já ousei encontrar a felicidade. Que meu reflexo já existiu, que meu passado transcreveu nas minhas dores e ousou criar cicatrizes! Mas um passado negro como um abismo, e uma outra vida iluminada por uma luz fraca me trouxeram para o amor, eles me fizeram enxergar um belo pássaro de olhos azuis. Ele ficava na minha janela a me vigiar durante toda nona hora do dia; eu via suas penas em contra-tom com seus olhos piscianos, e seu canto mais alto que o grito da minh'alma. Quando ele olhava para mim, ele sugava um pouco da minha energia, pois seu olhar encantador, tinha um sangue frívolo, que mostrava seu desgosto por mim. E quando não sobrou mais nada, eu estava longe da flor da idade, eu era como uma madeira carcomida, tão velha e gasta, que um sopro a arrasta para longe. E então: eu vi a vela que havia em mim se apagando, finalmente alguém soprou, não tenho mais nada, se não esperança.
Eu procurei pela inteligência, e ela me ofereceu asas para correr atrás do meu amor; eu procurei a feitiçaria, e ela me ofereceu esquecimento, eu procurei as faces dos holofotes, e eles me ofereceram uma noite para dormir para se passar acordada, trespassada por um gatilho fatal.
Dessa vez eu procurei a sabedoria, e ela também me decepcionou, disse que eu teria de viver com isso, e agora aqui estou. Em um devaneio, fingindo viver ainda; uma gota ameaçando cair de uma torneira já enferrujada. Foi quando eu vi um outro pássaro, dos mesmos olhos, das mesmas penas, mas eu via que seu canto era diferente, e que ele me dava paz. De alguma forma, tive certeza de que não era o mesmo. O pássaro me convidara para me ensinar a voar; foi quando fui investigar seu caso, e vi seu pé preso sobre um galho; foi quando vi que o galho era o meu braço, abraçado à uma madeira velha, a ponto de cair. Então o libertei, e caí no chão sendo despedaçada por uma luz desentoante. Ela veio ao meu encontro, e como uma mariposa, eu seguia os raios da luz; foi quando encontrei comigo mesmo, com os mesmos olhos do pássaro, mas com um olhar diferente. Com o meu corpo de outrora, mas com uma luz, que nem a escuridão do abismo, ou o sopro da desesperança, apagará!

Exodus














Eu preciso apenas de um quarto
O filtro de um cigarro
Um conhaque pela metade
Fotos minhas rasgadas
Comentários sobre mim das paredes
E poderei considerar um lar

Não me traga quadros
A pintura me desaprecia
Não me traga conforto
Ele me faz desconfortável
Não me traga abraços
Eles me esfriam
Não se despeça com um beijo
Apenas ajude o eco das paredes

Traga-me um espelho
Ele possui os piores comentários
Fazem meus ouvidos sangrarem
E quando não há mais sangue
Levam minha alma pra dentro deles

Não me traga sua voz
Ela arranha o silêncio
Não me traga pensamentos
O espelho os levará para o outro lado
Não me traga o outro lado
Ele pensa me amar

Samuel, o frio Imortal


Ás vezes eu sinto uma estranha falta de alguém para cuidar
Para beijar as lágrimas que escorrem das bochechas
Afagar os cabelos, despretensioso, com amor
Ter alguém em meu colo para cobrir de asas.

Ás vezes eu tenho vontades de voar acompanhado
Por os vastos céus, próximo de mais alguém
Dar a esse alguém a experiência do voo e da liberdade
E encher um coração de esperanças para um futuro sem fim.

Ás vezes é bom ser só. Outras é bom o afago
Mas outras mais é necessário tomar por conta
Agir na responsabilidade de amar e ser amado
Construir, criar raízes, tomar por envelhecer.

Porém, então, reconheço do meu entrave
Da imortalidade que me foi concedida
Dos deuses que me deram tal grandioso dom
E a dor que sinto ao ver morrer mais alguém.

Dos amores que passaram, mais penas a se desvair
Do momento de amor, uma memória amarelada
Das tantas que guardo, um peso grotesco de remorso
Das costas que me sustentam, só carcaça de pele e osso
Do amor que me cura, perfura meu coração com diamante.

Este não é ninguém além de Samuel, o frio.
Como um louco, refere a si mesmo na terceira pessoa
O Anjo que teve a quarta, a quinta, a sexta... infinitas pessoas
E que leva uma carroça de cem rosas índigo para o cemitério.

Samuel

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Liberdade

Liberdade
Ah, a liberdade
Liberdade que sinto transpirada em tua pele
Inspirada em teu peito
A mim transmitida pelo teu corpo

Liberdade que se manifesta pelo vento em teu cabelo
Que se impõe pelo sorriso em teu rosto
Se sente pela maciez de tuas mãos
Flui por teus lábios

Liberdade que me toca pelo teu toque
Me extasia com teu olhar
Me afaga em tuas coxas
Me retém em teus braços

Liberdade
Ah, a liberdade
Liberdade que sinto contigo
Como se corresse, livre, pela estrada
Mas me acidentasse em tuas curvas.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Contraste

Fui moribundar no passado                                          
Para descobrir se tudo
Tudo mesmo
Era mesmo preto e branco
Vi vestidos até o pé
Cabelos até o céu
Músicas de cabaré
Tabaco no papel
Senti o mar no pé
E desejei ser levado pela maré
O céu alumiava a escuridão
E o passado passava em minha mão
Até que o tempo passou, voltou
E voltei para o atual
Quando vi que:
Incolor é o que vivo

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Mas o sofrimento nunca jaz

"In that moment you realise
That something you thought would always be there
will die
Like everything else"

When Anger Shows - Editors
Sinta-se bem-vindo ao Cemitério de animi motus¹
Onde ainda se entoam as cantigas de roda
Das crianças que morreram antes do amor
Onde ainda ressoa o bandolim e o choro
Dos amantes platônicos que agora a terra traga

Bem-vindo à capela mortuária
Onde as orações das mães desamparadas ecoam eternamente
Onde a viúva ainda grita em vão pela volta do amado
Onde o silêncio ensurdecedor dos suicidas é ouvido de longe

Este cemitério tem um lago
Salgado, porque é feito de lágrimas
Frio, porque é cercado por emoções mortas
Seco, porque o lago também está morto

Diariamente visitado por em média zero viv'almas
Visitado por lamentações e angústias
Habitado por melancolia e esquecimento
Seja bem-vindo ao Cemitério de animi motus
Seja bem-vindo ao seu fim

Cicatrizes



Amor do meu dia, dama da minha noite
Me lembro das feridas que você me deixou
Algumas marcas de mordida, uma de açoite
Da noite em que a gente se entregou

Apenas nos sentindo, entre beijos, tapas e mordidas
Sentindo uma dor chamada prazer
Causadora das mais deliciosas feridas
Que com amor, jamais vou esquecer

Aquele dia quando não queríamos parar
Quando nos entrelaçamos, ardendo de paixão
Paixão breve, deliciosa, que começa e termina no colchão
E que me faz nada mais querer lembrar

Só me lembro de quando em você eu 'caí'
E fizemos o que não poderia ser deixado pra depois
Um brinde à coisa mais perfeita que já vi
Um brinde a nós dois

Lacuna Brilhante



Com meus olhos através da noite
Pude ver sobre todo o mundo
Uma garota com os pés sobre o céu
Em chamas, iluminando toda escuridão

Ela fazia das estrelas escuridão sem fim
E do sol, brincadeira de criança
Ela iluminava o céu com fogo
Mas se cerrássemos nossos olhos
Se com atenção olhássemos 
Veremos que existia mais brilho que o ouro 
Mais cor que o fim do mundo

Ela confundia os olhos
E amedrontava os sem coragem
E quando tive acesso a mim mesmo
Pude ver que eu já estava em seu lado
E como um susto agradável
Ela puxou meu braço

Pensando que me queimaria
Vi que estava em chamas, realmente
Mas nada em mim me queimava
Ao contrário, o fogo curava, renovava
Foi quando então, me uni a ela
E nunca mais deixei a luz

Para Izabela Bombo Gonçalves

Morto Pienet


O ar é rarefeito
Numa depressão
Onde ninguém
Respira.

A cidade é cinza
Apesar das luzes
Que destroem o que
Inspira.

Não se vê mais
Ninguém observa
Há o ponto de fuga
E nada mais além
Na visão da rua.

Transpira
E nada além disso.

Transgrida
Meu mundo intocado.

Destrua
Da minha palavra.

Finaliza
Com Meu Labor.

Acaba
Com minha vida.

Pienet

domingo, 9 de dezembro de 2012

Viagem cíclica

Uma nova vida
Vivida na mesma vida
Uma simples mudança de vida
Foi a melhor coisa da minha...
Vida.

Ciclos não são feitos de fins e recomeços
Ciclos são feitos de avaliações e renovações
Ciclos não se terminam
Ciclos melhoram.

Ciclos são círculos
Círculos, que por sua natureza cíclica
Círculos são ciclos
Não têm fim, nem começo

Ciclos têm a duração exata
Da inexatidão
Um ciclo significa precisamente
Qualquer coisa...

Sepphia


















Um corvo alumiado atravessara o céu
Veio nas 4 estações, abençoando-as
Uma criança de olhos descontentes o perseguia
Seguiu até uma fenda entre este e o outro mundo

O garoto sem se dar por conta, atravessou os universos
Seu sorriso deu cor a um mundo, esminense toda treva
E ainda olhando para o céu, correndo, Viu num olhar torto:
uma criança que outrora incolor, estava sendo despertada pelo corvo


As duas crianças na súbita corrente do inverno
Correram juntas, e deram as mãos, como se pensassem juntos
Olhando para o horizonte, perseguindo o corvo que os levava,
Pararam sobre um lago, lá, observaram o filho de Narciso
Ele ainda respondendo os ecos do pai, os observava desconcentrado
E quando o corvo o alcançou, as duas crianças o pegaram pelo braço

Ele esquecendo do pai, correu com eles colinas distantes
Alcançaram o sol, até que de tão perto, se uniram a ele
E junto ao corvo, no outro ano, retornaram como fênix
Em um corpo, juntos, cantavam as canções do nunca